domingo, 26 de abril de 2026

A foto do cabeçalho

 A foto no cabeçalho é uma representação da batalha naval de Sinop, a qual fez parte de cerca de 300 anos das guerras russo-turcas. Já que o Ventor não diz nada, falarei disso por aqui. Rascunhos do Quico.

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Pilantras


 Eu sou o Pilantras, ou melhor, era.

O Ventor dizia-me que eu tinha uns olhos lindos. Condiziam perfeitamente com a pelagem que Deus me deu ou sobretudo, se preferirem, como o Ventor dizia.
Já voltei cá, pela mão da deusa Bastet e observei a tristeza do Ventor quando ele pegou nas minhas cinzas. Agora, enquanto Bastet me mostra este outro, para mim, novo mundo, o Ventor continua a sonhar comigo e a tentar não me pisar, aguarda que eu vá para a cama e a levantar-se às cinco da manhã para me dar de comer. Ele chora por mim, tanto como eu choro por ele. Mas a deusa Bastet já me disse que eu continuaria a visitar o Ventor em sonhos e que ele, vai continuar a sentir sempre a minha presença.

sexta-feira, 17 de abril de 2026

O Adeus do Pilantras

A foto no cabeçalho é uma representação da batalha naval de Sinop, a qual fez parte de cerca de 300 anos das guerras russo-turcas. Já que o Ventor não diz nada, falarei disso por aqui. Rascunhos do Pilantras.

Ventor e Pilantras

Meus amigos, se é que ainda os tenho, incumbi o Ventor de vos dizer adeus por mim.

Hoje, dia 14 de Abril, o Senhor da Esfera chamou-me para junto d'Ele. O Ventor tinha apostado comigo, que ia primeiro que eu, mas eu ganhei-lhe. Tem sido uma corrida dos diabos, estes últimos anos. E, nos últimos dias, foi ainda pior. Tinha feito um plano com o Ventor para colocarmos aqui a formação do império Otomano, mas eu desisti e, como o nosso amigo Net Sapinho, também foi atingido por uma doença grave, já tínhamos previsto o fim das nossas histórias. Sempre senti a vossa amizade e não queria ir embora sem vos dizer adeus.

Adeus, meus amigos.

E um adeus especial para o nosso amigo Net Sapinho. Tanto o Ventor, como eu, sempre entendemos que os blogs do Sapo eram os melhores. Por isso vos deixo aqui o meu agradecimento.

Adeus a todos. Como será o lado de lá? Pelas conversas que fui ouvindo nos meus 15 anos de vida, vou ficar, por lá à, espera do Ventor, este meu grande amigo.

Formação do Império Otomano

 Meus amigos, o Ventor anda a sarnar-me a cabeça com coisas que nem lembra ao diabo.

Mas quem quer saber disto? Bem, eu vou tentar fazer-lhe a vontade! Ele atirou-me com um rabisco do Quico e disse-me: "desenvolve isto"! «Desenvolvo o quê»?

Sei lá, conta aí, a essa gente, o mais sinteticamente possível a formação do Império Otomano.

Chissa!!! Ele está maluco!

Vou ter que fazer uma caminhada em redor dos mares Cáspio e Aral para ver de que chão vieram os antepassados dos turcos e o mais sinteticamente possível.



Mar de Aral - à esquerda, mais antigo; à direita, mais moderno

O que terá levado aquela gente a embalar a trouxa e rumar para sul? Os rios Amu Dária e Syr Dária, alimentavam o mar de Aral de Sudeste para Noroeste, sensivelmente. Agora, cerca de 1.000-1200 anos depois, como podemos descobrir porque os ancestrais dos turcos acharam que o sul era melhor? Terão sido empurrados? Terão achado que mais cá para sul as praias eram melhores que as que o mar Aral oferecia e um dia os fatos de banho viriam a ser uma beleza?

Seja porque tivesse sido, o mar de Aral, também chamado mar das Ilhas, existiam nele cerca de 1500 ilhas, é hoje um mar quase morto, na bacia endorreica da Ásia Central.

Pois bem! Na formação do império Turco-Otomano, primeiro parece-me e acredito que estão os Oguzes que formaram um dos principais ramos dos povos turcos ou turcomanos, entre os séculos VIII e XI A.D. Nesta época, todos os povos pela Europa fora, Ásia Central e aquela parte que hoje chamamos de Oriente Médio, estavam em convulsão.

Entrada de Maomé II, o conquistador, em Constantinopla

Os Oguzes, abandonaram as suas estepes e começaram a migrar para sul do mar Cáspio em direcção da Ásia Ocidental e Europa Oriental e são considerados pelos experts que estudam a antiguidade dos ancestrais dos turcos modernos, como os turcos da Turquia, turcomanos do turcomenistão, azeris do Azerbeijão, qashcais das províncias iranianas de Fars, do Quzestão, e de Isfahan no sul. Turcos do Coração, espalhados por partes do Irão, do Tajiquistão, do Uzebequistão, do Afeganistão, do Turquemenistão e gagaúzas, povos da região da Moldávia e do Budjak no sudoeste ucraniano comunidade com cerca de 300.000 pessoas no mundo e que, em conjunto, são cerca de 10.000.000 de pessoas.

Mas há mais!

Os turcos Seljúcidas, um ramo dos Oguzes, migraram também para sul, desde o norte do mar Cáspio e do mar Aral e viviam junto dos Abássidas. Migraram para as regiões orientais da Anatólia, onde os Oguzes estabeleceram a sua pátria. Ali se organizaram e enfrentaram os bizantinos na batalha de Manziquerta, em 1071, algumas dezenas de quilómetros a norte do lago Van. Aí os turcos venceram e, após várias batalhas e guerras, tomaram Constantinopla, em 1453.

Muralhas de Constantinopla

Os Bizantinhos camiharam desde Constantinopla e os Seljúcidas desde Alepo.

O império Otomano, depois da tomada de Constantinopla, caminhou para oeste até às portas de Viena de Áustria e para noroeste conquistando os povos do Cáucaso, enfrentando os russos, várias vezes, a cujas guerras assistiremos mais adiante. Em cerca de 300 anos, os Otomanos tiveram 12 guerras com os russos.

Pronto! Mais sintético que isto, não posso! Vamos agora à formação do Império dos Czares russos.

O Ventor espera a Primavera

 Vai esperando!



A Primavera bela como sempre

O Ventor já me disse que não se importa que ela venha vestida de qualquer cor, até pode ser de vermelho. Ela anda a colher flores do seu irmão inverno para trazer e oferecer ao Ventor, juntamente com as dela.

Flor do açafrão bravo

Este ano, a Primavera falou ao Ventor no Cabo Raso, através da flor do açafrão bravo. O Ventor não contava com elas tão cedo mas lá estava ela a incutir-lhe esperança de que a vida continua e, para ele, as flores são o melhor indicador.

Monte Nebo

 Encontrei aqui alguns rascunhos do Quico e, para os que não se recordam, o Quico foi o gato que, antes de mim, era o grande amigo do Ventor.

O Ventor andou a mexer nos discos externos e depois, já farto de tanta coisa, foi ver um filme. Aproveitei para ir vendo o que estaria por aqui, deixado pelo Quico. Encontrei um título de um post começado e não acabado. Esse título era simples. Dizia só: Monte Nebo.




Este é o Monte Nebo de que o Quico iria Falar e a morte não o deixou

 "Mount Nebo BW 6" por Berthold Werner - Obra do próprio. Licenciado sob CC BY 3.0, via Wikimedia Commons 

Ora eu estou farto de ouvir o Ventor falar em montes e nunca me tinha falado neste. Ele passa a vida a falar da Pedrada o grande monte da vida dele, na Derrilheira, na Naia, na Serrinha, no Giestoso (monte mais alto da serra da Peneda), nos montes que, grandes ou pequenos, nunca acabam.

Abri o Monte Nebo e descobri coisas novas que o Quico já sabia. Às vezes fico a pensar que o Ventor tinha razão ao dizer que eu nunca chegaria aos calcanhares do Quico para falar por aqui, das coisas do mundo mas, o que o Ventor não me disse, é que teve sempre muito tempo para o Quico e tem pouco tempo para mim.

 


Segundo alguns investigadores, as muralhas mais poderosas da época, caíram quando Josué tocou as trombetas para ordenar o ataque

Esses homens da foto acima, dizia o Quico, representam os homens que transportavam a Arca da Aliança e, segundo o Quico, ela teria sido escondida pelo profeta Jeremias, nesse tal Monte Nebo, quando os exércitos babilónicos de Nabucodonosor invadiram Israel e destruíram o Templo de Salomão. O Monte Nebo situa-se na Jordânia e tem cerca de 700 metros de altura.


Placa no Monte Nebo

"Mount Nebo Distances" por David Bjorgen - Obra do próprio. Licenciado sob CC BY-SA 3.0 via Wikimedia Commons

Daqui, conforme esta placa, Moisés despediu-se do Planeta Azul. Tinha a terra prometida à vista e não a iria pisar. Foi essa a vontade do Senhor da Esfera a que os israelitas davam e dão, o nome de Jeová. Conforme essa orientação da placa, Moisés viu Jericó, mas não a viu cair aos pés de Josué, quando ele manda tocar as trombetas para o ataque. Dali, Moisés viu Belém, o lago Tiberíades, o mar Morto, Jerusalém, Nablus, Ramallah e todo esse mundo que Cristo pisou

Na Arca da Aliança eram guardadas as Tábuas (chamam-lhe tábuas, mas eram de pedra) que Jeová entregou a Moisés para orientação do povo de Israel. Mas não há homens nem povo que não cometa pecados e o povo de Israel, foi escravizado por Nabucodonosor.

Jeremias terá escondido a Arca da Aliança algures e, há quem pense que ela estará nesse monte - o Monte Nebo.

A Palavra Saudade

 Olá, amigos!

Encontrei, por aqui, um gatafunho do Quico que apenas precisa de um aprumozito para ir direitinho, fazer uma caminhada na Net. Tudo sobre a palavra SAUDADE! E, começa assim!

"Como todos vós sabeis, eu sou um gato … e tudo o que sei, aprendi com o Ventor! Bem tudo, tudo, não! Algumas coisas vou aprendendo com a minha dona, mas o Ventor é quem, na realidade, me ensina quase tudo. Ele fala comigo e nas nossas conversas, entra a palavra saudade. Em termos humanos, eu sou um bicho gato equivalente a um bicho homem de meia idade. Por isso, o Ventor diz-me que ainda não sou massacrado pela palavra saudade.

O Ventor diz que é um saudoso de muitas coisas boas da sua vida e, na verdade, só tem saudades dos seus tempos em que a vida era difícil. Muito difícil!

Ele diz que, quando era criança, olhava profundamente os rostos enrugados dos velhos da sua terra, o Lugar de Adrão, que poderiam ser seus avós, uma vez que ficou sem avós por volta dos dois aninhos. Via as rugas quase com um século e o olhar profundo de olhos quase vidrados a deambular pelo espaço à sua volta. Hoje diz-me que tem saudades desses olhares projectados na sua direcção mas sabe que olhavam só para trás. Olhavam as caminhadas que tinham feito, nos seus espaços e nos seus tempos.




Um braseiro para o outono-inverno. Para as castanhas e os cogumelos

Diz-me que tem saudades do borralho da sua casa velhinha, onde as chamiças de urze seca iniciavam uma labareda que ateava as achas e os canhotos de carvalho que vinham carregados às costas das profundezas do vale a que chamavam Assureira. O fumo subia rumo ao telhado e desaparecia ultrapassando-o. Muitas vezes esse fumo era o sinal de que a sua mãe punha um pote de ferro no braseiro onde começava a aquecer para fazer o caldo. Não esquece o cheiro das couves galegas a cozer e ainda por cima ele não gostava nada que era verdura. Mas gostava dos feijões, das batatas, do arroz, do macarrão e das carnes, especialmente da carne do porco que sabia que matavam barbaramente e, o Ventor, quando pequeno, chorava pelo seu porco dias seguidos. O porco ia recebe-lo quando aparecia com as vacas ou sem elas.

Gostava da carne de galinha, aquele animal companheiro que punha ovos e criava os pintainhos amarelos uma das maiores belezas que o Ventor encontrou no seu caminhar. Tem saudades de ver sua mãe mugir as vacas, e dar-lhe uma cafeteira com leite para levar ao cimo da aldeia a uma velhota com 90 anos a tia Piedade da Barreira e das festas que o gato velho dessa senhora lhe fazia de volta das pernas, pois o leite também era para ele.

Tem saudades da chegada das cabras que desciam a aldeia às marradinhas umas às outras, todas contentes por saberem que os seus filhotes pequeninhos as esperavam na corte, aos quais iam dar de mamar.

Tem saudades do Bolo da Pedra. A sua mãe colocava uma lasca de pedra de granito no braseiro onde aquecia e depois de muito quente aplicava-lhe, em cima, uma massa que ela fazia e que punha junto do braseiro a aquecer até cozer. Com esse Bolo da Pedra comiam sardinhas ou joaquinzinhos assados ou fritos, ou chouriço, ou barravam com manteiga feita do leite das galantas, as vacas que também eram a sua família.

Tem saudades de chegar a casa molhado e gelado e de sentir as mãos quentinhas da sua mãe a segurar as suas para as aquecer, de lhe dar uma roupa seca aquecida no lume do borralho e manda-lo sentar-se na sua cortiça junto do braseiro dando-lhe uma malga de leite, ainda quente, acabado de tirar de uma das vacas ou então, um pedaço de toucinho entremeado acabadinho de cozer para a ceia.

O Ventor diz-me que tem saudades do cheiro da lenha queimada, o fumo que, às vezes, quando a lenha estava húmida era exagerado e punha-o a chorar contra a sua própria vontade.

O Ventor tem tantas saudades que ainda há pouco tempo, sentiu que a sua mãe estava aqui, sentada na cama, a seu lado, a tentar falar com ele.

Eu perguntei ao Ventor se também ia ter saudades um dia quando já fosse velho, e ele disse-me que se calhar não, pois eu não tive uma mãe para me aquecer, para me dar beijinhos, para me bater quando eu me porta-se mal, para me dar o comer e por isso não sei se a minha mãe estará viva ou morta.

Mas eu acho que mesmo que eu não tenha saudades os meus amigos devem ter saudades das suas mães, pois elas também os ajudaram e os aqueceram e lhes terão dado bocadinhos do seu comer e os abraçaram para dormirem juntinhos. Eu vi isso tudo, mas eu era um gato abandonado e não acredito que fosse por vontade da minha mãe. Só gente má é que me poderá ter roubado à minha mãe.

Por isso, depois de ouvir estas coisas de que o Ventor tem saudades, gostaria de pedir às potenciais mães degeneradas que nunca abandonem os seus filhos. Lembrem-se que, se os abandonarem eles, um dia, nunca saberão o significado dessa palavra saudade uma palavra maravilhosa para o Ventor».

Eu, o vosso amigo Pilantras, também não tive nem tenho mãe, mas tenho o Ventor e a minha Dona que adoro e sei que eles me adoram também. Não fosse isso e tinham-me deixado morrer.

Por Outros Mundos

 Cada vez que descubro rascunhos do velho Quico, apetecia-me sair de casa e ir descobrir mundos. Já imaginaram por onde o Ventor caminhou. O Quico diz-me, por aqui, que o Ventor caminhou mesmo pelo rio Eufrates, no actual Iraque, com a sua amiga Diana e até tem mapas por onde ele andou. Mas o Ventor só lhe falava do Eufrates. Será que não lhe falou do rio Tigre também?


Mesopotâmia

Olhando estes traçados azuis no mapa dos rios que representavam e representam os territórios da Suméria, de Babilónia e do actual Iraque, quem pensará que hoje a maior composição daqueles territórios, é desértica?

Tenho de tentar encontrar mais rascunhos do Quico para continuar as suas conversas sobre os locais desses tempos.

Torre de Babel

 O Ventor falou-me da Torre de Babel. Disse-me que o Senhor da Esfera, tramou a malta que sobreviveu ao dilúvio, com o tempo, formou vários grupos e que entenderam chegar ao céu mas não sabia como. Por isso, construíram um zigurante muito alto, tanto quanto puderam e iam colocando sempre mais tijolos e mais, e mais, e ... mais! 


Torre de Babel

Essa malta falava toda a mesma língua e entendiam-se muito bem. Mas o Senhor da Esfera achou-os parvos e decidiu trama-los. «Com que então querem chegar muito alto, não é? Querem vir até mim»!? O Senhor da Esfera achou que arranjaria uma maneira de chatear aquela gente e parecia ao Ventor que Ele já estava arrependido de ter ordenado ao Noé, para construir a barcaça. Arranjou maneira de eles não se entenderem. Começaram a mandar vir uns com os outros e houve um que, como não os entendia e verificou que também não o entendiam, disse aos seus homens para mandarem a torre às malvas e saíssem dali. Cada grupo foi à sua vida e, preferencialmente, para longe da torre.

Por causa da mania da construção da Torre de Babel, ainda hoje o Ventor anda chateado. Ele levantou-se e quando estava a comer o pequeno almoço ligou o ipad, como sempre faz, para ouvir as notícias na TV. Todos sabem tudo sobre o Covid-19 mas, ao fim e ao cabo, ninguém sabe nada. São russos, são americanos, são chineses, são alemães, ingleses, japonesas, portugueses e por aí fora. Vê lá Pilantras que, diz-me o Ventor, até os cães da vizinhança falam sobre o Covid-19!

Diz que está farto de tanta teoria na perseguição a esse malvado vírus. Ele desligou o ipad e disse: "dêem-me uma fisga decente e eu mato esse gajo com uma só pedra"! Se a fisga entra cá em casa estou lixado. Só espero que ele não a vire contra mim. Já não se pode falar do Covid-19 ao pé dele. 

Isto está a ficar mau! Ainda ontem estava um cão no meio da avenida a dizer para outro: «morde o gajo, pá"! «Qual gajo»? "Essa coisinha minúscula que está a passar por ti". O outro que não via coisinha nenhuma, disse: «estou feito cotigo, até pareces o meu dono. Já vê o vírus em todo lado»! Chiça!!!

Serra de Soajo

 Amigos, o meu amigo Ventor disse-me que nasceu na serra de Soajo, aqui: eu nasci na serra de Soajo.

Alto da Pedrada - serra de Soajo

Ele diz que ninguém sabe onde isso fica e que, por isso, tem de estar sempre com a lenga-lenga toda. Adrão, Soajo, Arcos de Valdevez, Viana do Castelo e já agora eu concluo com Portugal. Isso eu já sei! . E eu, como sou gato, não estou a perceber nada de tanta confusão. Porque será que haja, num país tão pequeno, tanta gente a embirrar com uma serra. Será por essa serra arrastar durante séculos o seu nome histórico? Ou será porque há gente tão nhurra que encorna uma coisa, mesmo que errada e nunca mais a larga? Espero vir a saber!

 

Pisco Sour

 Nem imaginam o que eu passo com o Ventor. Agora anda a embirrar comigo!

Há tempos embirrou que queria fazer um pisco sour! Agora descobriu que há dois e não sabe qual é o melhor. Há o chileno e o peruano. Disse-me que queria provar os dois. Depois arranjou outra confusão. Um é feito com clara de ovo - o peruano. O outro é feito sem clara de ovo - o chileno.

E eu! Eu nem sei para onde me virar. Com ovo, sem ovo, ... assim, assim! Mas porque será que a minha deusa Bastet me colocou junto deste gajo! Que percebo eu de pisco sours!

Agora pergunta-me a que faz mal a clara de ovo. Se faz mal ao pisco sour ou a ele. Eu que nem quero saber das claras de ovo e muito menos do pisco sour!

Diz-me que queria beber o pisco sour no Peru, em Cusco. Este pisco sour em baixo é o tal que leva clara de ovo. E se ele não quer beber o pisco sour com claras de ovos, tem de ir bebe-lo para o Chile, nem que seja com a ajuda de Santiago.


O pisco sour? Não há, mas esta também é agradável

 Ele que sempre se contentou com as caipirinhas que a minha dona lhe faz ou com as caipirinhas do Alex! Já há muito tempo que não bebe outras deu-lhe agora para pensar no pisco sour e pensava eu que já se tinha esquecido!



Uma caipirinha

Digam lá se a caipirinha não vem mesmo a matar, cheia de gelo como o tempo pede! E aquela rodelinha de lima a enfeitar o copo? Aos olhos fica bonita e aquele cheirinho a lima nem se fala mas acho que o Ventor a fazia sumir logo. Ele só gosta do que está dentro do copo. Aos enfeites não liga.

Uma bela margarita

Já viram como é linda a margarita? Eu não lhe levava os enfeites com a rodela de lima. Ele começa a ver onde põe o nariz e corre com ela. Não vale a pena dar-me a tal trabalho. Mas o de cima, o pisco sour tem a clara de ovo!

Que se lixe. Não lhe faço nada! Que vá mais o Luis Perricho beber o Ricard num copo de plástico com a água fresquinha da Corga da Vagem. Afinal ele tem gin, tem whisky, tem a 51, tem ricard, tem martini, ... e outras porcarias, porque raio quer ele o pisco sour? Todos esses ingredientes bons ou assim-assim são iluminados pelo nosso amigo Apolo. 

 Este é o Apolo peruano

Que vá chatiar outro. Que beba whisky e se quer fresquinho que ponha gelo.

Música

 Algumas vezes eu e o Ventor ficamos por aqui a ouvir músicas.

Hoje resolvemos fazer algumas alterações neste meu blog. Colocamos uma foto nova no cabeçalho que nos ajuda a perceber como somos pobres em instrumentos de música. E coloquei na página lateral do meu blog, um link para a minha músia.

Este instrumento de música, o triângulo, é um instrumento em que na terra do Ventor, chamavam ferrinhos. Uma vez, quando o Ventor era pequeno, os homens de Olelas (Galiza), vieram à Várzea e a Adrão, cantar os Reis. Foi a primeira vez que o Ventor viu este instrumento com concertinas e caixas.

O triângulo ou ferrinhos

O olifant era um corno que os comandantes militares usavam durante a idade média, para dar sinal às tropas. Eram feitos de dentes de elefantes e neles incrustavam imagens lindas e desenvolviam belíssimas obras de arte. Talvez o mais famoso olifant de que ouvimos falar seja o usado por Rolando, comandante militar francês do exército de Carlos Magno e que foi morto na batalha de Roncesvales. 

Não encontrei nenhuma imagem de olifant.

O Ventor em Évora

 Vocês não acreditam mas o Ventor em Évora só dava valor ao Templo da sua amiga Diana.

Mas, desta vez, ele pensou em diversificar. Dirigiu-se à Sé de Évora e, quando deu pela fé, estavam três penudos (as) aos saltos nas árvores. Começou a observa-los e concluiu que eram uma espécie de gralhas de nuca-cinzenta. O Ventor e a minha Dona, decidiram subir pelas velhas escadarias, rumo aos telhados e quando chegaram lá acima, o Ventor deixou a minha Dona entretida a fotografar os telhados e a cidade desde os píncaros das torres e foi ter uma conversa com as gralhas.

Vocês nem imaginam o que aconteceu! O Ventor que é um rato, não da sacristia mas dos telhados, ouviu o seguinte:

«Oh, Miquelina, deixa-me esconder aqui à tua esquerda que anda aí um gajo que me pareceu o Ventor e, se ele está cá, nunca mais nos larga»!

" Oh, Lafayette, porque raio te queres esconder dele se sabes que ele não faz mal a nenhum penudo, nem a gralhas? Lá por ter morto uma águia, asfixiando-a debaixo da bota, não esqueças que foi a águia que o atacou"!

 Miquelina observou o Ventor enquanto o Lafayette se escondia à sua esquerda

«Eu sei que a águia foi estúpida mas do Ventor temos de esperar tudo! Temos de contar com tudo olha que esse gajo é pior que o Geraldo sem Pavor. O Geraldo está transformado em pedra mas o Ventor ... não vês como ele se mexe»? E a Miquelina diz: "observa o Ventor e deixa-te de tretas, Lafayette"!

O Lafayette levantou a cabeça e diz à Miquelina: "olha o gajo. Estou a vê-lo"!

«Aquele gajo, Miquelina, com a pedalada que leva, ainda deita o telhado a baixo»!

"És um chato, Lafayette, eu aposto que nem faz sair uma pena do nosso ninho"!

Lafayette e Miquelina, observam o Ventor

«Eu não tenho medo dele, sei que é um gajo porreiro, mas como sei que se torna um chato, nem me apetece olha-lo. Olha para aquela máquina. Nem para»!

Disse-me o Ventor que o Lafayette e a Miquelina continuaram a voar de torre em torre mas o Ventor tinha sempre a máquina apontada para eles. O Lafayette não gostava nada mas a Miquelina estava a gostar de se tornar na vedeta das gralhas de nuca cinzenta.

Vê lá Miquelina, observa-me aquele gajo!

E Lafayette volta a chatear a Miquelina: «penso que ele, agora, já tenta fotografar o Templo de Diana para ver se a apanha por entre as colunas, ou então, anda à procura da cabeça do mouro decepada pela espada do Geraldo sem Pavor. Aquela cabeça que ele tem levantada na mão esquerda depois de a cortar com a direita.

Nem sei como consegues apreciar estas cavalgadas do Ventor pelo Alentejo, se ele se torna um violador dos nossos aposentos»!

"Deixa lá Lafayette, que eu acredito no Ventor. Eu sei que ele é nosso amigo e isso basta-me"!

Foi assim o primeiro dia desta caminhada do Ventor pelo Alentejo. Chama-lhe ele, um raid! Depois, de se empanturrar com o almoço (ele não levou rações de combate. Nada de latas, essas são para mim), continuou a caminhada rumo a Vila Viçosa. Segundo ele me disse, de Vila Viçosa, só lhe enteressava uma conversa com a poetisa, Florbela Espanca.

S. Martinho de 2017

 Hoje foi assim o dia de São Martinho, cá em casa e, mais uma vez, o Ventor incumbiu-me de desejar a todos os nossos amigos, os votos de que não lhes faltem castanhas.

Eu sou o Ticas e, como o Ventor, também festejo o São Martinho

Quando o nosso amigo Apolo, coloca os cotovelos sobre o parapeito da janela, espreita lá de fora e começa a brincar comigo e com o Ventor, tudo fica mais bonito. Mas este ano já ouvi o Ventor desabafar que Apolo está a aparecer vezes demais. Hoje está bem porque estamos no verão de São Martinho mas o Ventor já me disse que, se vai zangar com ele para ver se ele vira as costa por uns tempos e deixa avançar as chorosas fadas de Neptuno para junto de nós, a ver  regam isto. 

A mesa está quase posta mas aposto que a minha dona não quer as cabras na mesa, quer o São Martinho venha, quer não

O dia estava lindo, fazendo jus ao verão de São Martinho. O sol entrava pela janela da sala e pela porta da varanda e eu dormia a minha sesta descansado. De repente vi o Ventor com a máquina na mão e começar a tirar fotos. Pensei logo: "aqui não há coisa boa".

Isto é que é uma vida! É só tirar os livros e colocar os pratos

Fui-me chegando e não havia mesmo. O Ventor ia sair e disse-me: «Ticas, vai pensando em desejar as castanhas para os nossos amigos porque hoje é dia de São Martinho. Eu e a Dona vamos comprar umas coisas e ver se há castanhas melhores do que as que trouxemos ontem»

Que mal fazem as cabras na mesa? Se o São Martinho vier, até pode ficar contente

Pensei logo para com os meus bigodes: "estou lixado. Este gajo vai embora e nunca mais volta. Vai deixar-me só com o São Martinho"!

Mas não. Foi e veio logo para brincarmos com as castanhas. E trouxe castanhas boas, bem melhores que as castanhas que ontem comprou no Continente. Mas arranjou-as no "Continente Bonjour", aqui em Massamá, que é da mesma família.

O Ventor diz que o São Martinho ainda vai levar estas frutas secas com ele e vai dizer-lhe para ir ao Checa à água pé para participar noutras festas

Ainda sobraram castanhas, nozes, avelãs e água pé. Ah, o São Martinho, disse-me o Ventor, esteve connosco à mesa mas eu não o vi. Eu fui para o ombro do Ventor para espreitar lá de cima mas o São Martinho só o Ventor e a minha Dona é que o viram. O Ventor diz-me que se eu não o vi é porque sou zarolho porque o Quico via o São Martinho sempre.

Agora vou me portar bem porque para o ano quero ver o São Martinho. Se não o ver, nunca mais quero saber das castanhas para nada!

O Ventor falou-me da serra de Soajo

 Eu sou apenas um gato, mesmo assim, o Ventor informa-me de muitas coisas. Hoje voltou a falar-me de Soajo. Claro que eu já lá andei e mais ainda, já conheci, como o Ventor diz, as fraldas das suas Montanhas Lindas. Já vi o Sítio do Quico, os cavalos e as vacas que se alimentam por lá e já bebi água das Fontes, uma nascente que o Ventor diz ser a melhor água do mundo, como a água do Muranho, da Naia e outras.

 A nascente das Fontes no caminho de Adrão para Paradela e Várzea

O tanque das Fontes, e a mesa de pedra para os petiscos. Não se pode nem se deve fazer lume para assar sardinhas ou coisas assim, mas sempre podemos levar frango assado, rissóis, pastéis de bacalhau, chouriço, presunto, .... para fazer o melhor dos pic-nics

 As Fontes vistas do Miradouro de Soajo. A Máquina procurou mas não encontrou, as árvores não deixam

O Ventor diz que sente nojo por todos aqueles cabeças de fuinha que só têm caca no cérebro porque, por portas e travessas, decidiram chamar serra da Peneda à serra de Soajo. Houve por aí uns hominhos que decidiram, sem saber observar o que quer que seja, sem nunca pisarem tojo e urzes, sem nunca verem para onde correm as águas, só porque, um tipóide qualquer, gostou mais da palavra Peneda, do que da palavra Soajo e arregimentou outros nesse sentido. Pois fiquem sabendo seus anedotas que as serras da Peneda e de Soajo são serras bem distintas e que a serra de Soajo é a mais alta, com o pico máximo no Outeiro-Mor - o Alto da Pedrada (1416 m).

 Queremos a nossa serra, identificada nos mapas, como deve ser ou somos forçados a pedir a intervenção dos Deuses? A minha amiga Thémis, está preparada para obrigar que os bois sejam chamados pelos nomes

Isto só pode acontecer porque existem galdérios pelos corredores do poder, quer regional quer nacional, que gostam de embaralhar a verdade e lançar umas alteraçãozinhas para se tornarem notados. São pessoas que nada sabem sobre um determinado assunto mas, de repente, acham que são uns experts e trocam as coisas, ou então, os nomes às coisas. É o que está a acontecer com a serra de Soajo. Esses experts, doutorzinhos da caca, feitos à pressa com o dinheiro de quem trabalha, foram mal ensinados por gente que nada sabia sobre Soajo, a Peneda ou o Gerês e inventaram um Parque Nacional. Só que esse Parque Nacional só serviu para arranjar um orçamento para alimentar chulices e nada mais, além de quererem engrandecer a serra da Peneda e matar a serra de Soajo.

Do lado de lá fica a serra da Peneda, bem mais rochosa que a serra de Soajo 

É gente sonhadora, que sonha com ninhures de jeito mas, sobretudo, sonha com as mesas que o Orçamento proporciona. Desde a chamada Primavera Marcelista (não é este, é o outro), (1973?) que o Parque Nacional tem um orçamento e digam-me cá, que foi feito de diferente para melhor na área do Parque Nacional da Peneda-Gerês? Há cerca de 43-44 anos que o Parque Nacional da Peneda-Gerês apenas existe no papel, um sonho de alguns mas com uma novidade: apenas chama ao Alto da Pedrada, na serra de Soajo, serra da Peneda.

A serra da Peneda fica do lado de lá, na foto, à direita, à esquerda e lá para trás da Senhora da Peneda e do seu rio e caminha de rocha em rocha, sobre os Montes Laboreiro. Para além dos Montes Laboreiro é Galiza, Espanha

Matar a serra de Soajo, onde se acredita que há cerca de 7.000 anos os homens vivem nas suas fraldas e assim a conheceram, onde os reis de Portugal a fizeram seu parque, para as grandes caçadas, como é possíve que gente desavergonhada se atreva a matar o seu nome?

Do lado de cá, na serra de Soajo, também há muita rocha mas nada que se compare aos fraguedos da Peneda

Sabem uma coisa, meus amigos, eu acho que o Ventor tem toda a razão. Ele gostava de ver o Parque Nacional da Peneda-Gerês, um parque sério onde fosse possível fazer coisas sérias. Organizar com gente séria e um orçamento sério uma floresta digna de um Parque Nacional. Fazer voltar os carvalhos, os castanheiros, os vidoeiros e outras árvores dignas dos seus vales. Defender os seus animais selvagens e também os domésticos de modo a que as populações sintam orgulho no seu parque.

Em frente, do lado de lá do rio da Peneda, fica a fraga da Nédia, na serra da Peneda. Por trás desses rochedos ficam as zonas de Adrão e de Soajo para onde era feita a Transumância dos seus gados, a partir de meados dos verãos e que eu saiba nunca pretendemos usurpar o nome à serra da Peneda, uma serra que também é um pouco nossa

Se não é possível isso, é melhor que esqueçam.

O Ventor ainda se lembra de quando andava na escola estudar as serras. Peneda, Soajo, Gerês, Larouco, Bornes e por aí abaixo. Depois, no mapa, víamos as suas localizações, as localizações dos rios, dos caminhos de ferro, das províncias, dos distritos. Parece que hoje as escolas existem para se entreterem a discutir os clubes de futebol e de pouco mais querem saber.

Outono de 2017

 Hoje começa o Outono. Mais um!

Segundo o Ventor, começa às 20:02 horas, o equinócio do Outono.

Outono belezas deste mundo

Vocês não sabem mas o Ventor continua a contar muitas coisas ao vosso amigo Pilantras. Às vezes fico a matutar porque é que os homens precisam saber isto tudo. Outono, Inverno, Primavera, Verão, ... e tudo o mais que envolve essas coisas. Nós os gatos não precisamos disso para nada.

O que nós precisamos é de nos espreguiçar e, especialmente, ao sol e mais ainda ao sol do Outono e do Inverno como vocês dizem. Para nós só há os dias. Dias bons, dias maus, dias de fome, dias de fartura, dias de calor, dias de frio, ...

Mas o Ventor fala-me do Outono de uma forma muito especial. Diz-me que está no OUTONO DA VIDA, que está na 3ª idade, diz-me que está a ficar velho, diz-me que é um jovem da 3ª idade, diz-me que está podre, diz-me que está para morrer, diz-me que não sabe qual de nós vai primeiro, ... eu sei lá! Este gajo está a ficar tarado e eu tenho de o aturar!

Mas já viram o que seria de mim se ficasse sem o Ventor? Estava perdido!



Flor que anuncia a chegada do Outono, pelas Montanhas Lindas do Ventor, tirada nas Fontes

Mas o Ventor também me fala de coisas lindas. Fala-me de flores, do sol, das belezas do mundo, das alegrias e das tristezas. Diz-me que todas as estações têm as suas belezas e o Outono não fica de fora e não fica a dever nada às outras. Para já, no nosso mundo conhecido, há flores todo o ano e há uma flor que o Ventor nunca se esquece dela- é a crock, uma flor rosa que cresce nos montes da serra de Soajo. Ela ainda nasce no verão mas embeleza as montanhas no Outono.



 Foto tirada da Wikipédia, autoria de Bierstadt Albert On the Saco River, no Maine

Depois o Ventor também me fala de coisas que só observa virtualmente. Ele fala-me de Estados Americanos como Massachusettes, Virginia, Maine, Vermonts e muitos outros que me diz que conhece quase como se fossem outra Assureira. São terras onde o Senhor da Esfera distribui artistas bem treinados pelo nosso amigo Apolo e diz-lhes que apenas quer ver autenticas obras de arte. E assim é! Eles utilizam pincéis incríveis e as tintas são do melhor. Depois o Senhor da Esfera, chama o Ventor e diz-lhe: «vê isto, Ventor»! E claro, o Ventor olha e observa essas belezas.

Esta imagem é uma foto tirada da amiga do Ventor - a Wiki, da autoria de chensiyuan. Chamam-lhe hogback mountain e é uma das belezas do Ventor

E não vou dizer mais nada a não ser que, tal como o Ventor, queremos chegar ao Inverno e nessa caminhada, ir dando umas espreguiçadelas.

O morcego

 Hoje vou falar-vos de um animal que o Ventor me falou e que eu via voar no Parque Aventura, na Amadora, nos meus tempos de gato livre. Eram eles que, tal como as andorinhas, limpavam os insectos que nasciam aos milhões na ribeira da Falagueira. O meu entretenimento era só esperar se eles desciam mais um pouco, pelo menos até à altura do meu impulso e, então, talvez conseguisse apanhar algum para mostrar ao Ventor que também percebo algo de morcegos. Agora, em Massamá, nem os vejo. É por coisinhas destas que eu tenho saudades do Parque Aventura. Não pela fome que lá passei e que a minha Dona fazia tudo por me matar essa maldita.

Este é um belo exemplar que o Ventor tirou da nossa amiguinha Wikipédia, carregado por Fallschirmjäger

Este morcego é uma espécie a que chamam Corynorhinus townsendii e pertence à família Vespertilionidae e que habita na América do Norte, menos nos gelos árcticos.

Claro que os morcegos pertencem a muitas espécies (serão, segundo os especialistas, mais de 1.100). Mas o Ventor contou-me três histórias sobre morcegos e eu, aproveito e, enquanto espero que os antiinflamatórios façam algum efeito na coluna dele, vou falar-vos dessas interacções entre os morcegos e o Ventor, aqui.

Como sabem, pelo menos os mais próximos amigos do Ventor saberão, ele nasceu numa bela aldeia de montanha, situada a cerca de 500 metros do nível do mar, nas fraldas da serra de Soajo (eu já lá estive). Um dos entretimentos que o Ventor e os seus amigos de infância tinham, era tentar apanhar morcegos à paulada ou então à pedrada, sendo eles as máquinas voadoras e as pedras, os mísseis lançados pelas mãos e braços do Ventor e compinchas. Mas os morcegos já há muitos milhares de anos (milhões?) que utilizam o sonar e, normalmente, safavam-se sempre. Utilizavam um estratagema a que os homens chamam biossonar ou localização por ecos.

A ponte de Adrão. Hoje esta ponte tem amparas sólidas e altas, onde todas as crianças podem brincar sem receio de cair sobre as rochas do rio. No nosso tempo as amparas de pedra eram baixinhas e, até havia um local onde não havia ampara nenhuma. Ali travávamos as nossas guerras com os morcegos. Nós com uma vara e eles, com a biosonar

Aqui é o Carril, um dos nosso campos de batalha contra os morcegos. Felizmente eles levavam a melhor

Havia, então, nesses tempos, uma guerra entre morcegos e putos que, felizmente, os putos perderam.

Mas o Ventor tem outra história com um só morcego, uma espécie de morcego raposa, um morcego que, em Marrupa, no Norte de Moçambique, teve o descaramento de desafiar o Ventor para um duelo. Apareceu na placa, junto às nossas máquinas voadoras, um grande morcego que o Ventor, com um pau na mão se foi aproximando, com a intenção de o observar melhor. O morcego começou a voar à sua frente, em volta da placa, sempre um metro acima do Ventor dois ou três metros à frente. Chegou uma altura que o Ventor entendeu que o morcego estava a gozar com ele.

Perseguiu o morcego, dando quatro voltas à placa e o resto do maralhal ria-se da palermice do Ventor. Na quarta volta, o Ventor, já chateado, meteu o turbo, quase voou como o morcego e, sem mais, deu-lhe uma cacetada, provando aos presentes que, qualquer máquina pode derrubar outra mesmo que, essa outra, utilize o biosonar. O Ventor arrependeu-se mas já era tarde e nunca mais esqueceu esse morcego.

Agora, há dias, na mata do Jamor, o Ventor e um amigo que também tentava fotografar os pássaros, amigos do Ventor, conversavam sobre essas belezas voadoras e, de repente, começaram a observar um "pássaro" que voava na vertical, tentando chegar à água. Mas que pássaro é este? Não era um pássaro! Era, realmente, o único mamífero voador. Seriam cerca das quatro horas da tarde, estava calor e, a sede, terá feito com que aquele animalzinho, saísse do seu esconderijo e fosse à procura da água. Ele voava na vertical entre uma altura de 1 e 1,5 metros da água.

Nem o Ventor nem o amigo ficaram a saber se o morcego bebeu água. Arrancou rumo às árvores e ficou escondido até, provavelmente, chegar a hora de ir procurar comer.

Rola Brava

 A rola brava é uma das belezas do Ventor, como já foi dito neste post.

Mas o Ventor, sempre que caminha, leva os olhos postos nas árvores, no chão verde, nos bosques e, na procura dos seus amigos penudos, especialmente dos seus amigos de criança, como os pombos bravos, os gaios, as poupas, os cucos e, sem nunca se esquecer das rolas bravas como estas.

Vejam as rolas aqui

Elas descansam frente ao ventor a cerca de 15 m, ao lado do charco onde mataram a sede

Disse-me o Ventor que, caminhava uma tarde destas, nas margens do rio Jamor e colocou-se um pouco à sombra de uma árvore, quando lá longe, esvoaçavam pombos torcazes e outras aves que lhe pareciam rolas. "E se forem rolas bravas"? ... pensou ele junto de um melro! O melro disse-lhe: «elas andam por aí, Ventor, eu já as vi». "Oh, black, tu tens a certeza"? «Absoluta, Ventor. Elas topam-se à légua»!

Assim foi. O Ventor ficou por ali um pouco e, de repente, sentiu um bater de asas especial. Ali, perto do Ventor e do melro, estava um charco de água suja, lamacenta onde, de vez em quando, passam carros. Caminhando nesse trilho, rumo ao charco, lá vinha uma menina linda do ventor a célebre (Streptopelia turtur), a nossa rola brava ou rola-comum. O Ventor ficou quietinho, na sombra. Nem acreditava que a sua beleza se dirigia para ele. Nem se mexeu, só para a observar. Lá atrás, vinha outra, seria o seu par. O Ventor nem mexeu a máquina! Viu-as beber água, como as via em Vila Cabral. Em Vila Cabral, eram sempre grupos delas. Elas beberam e dirigiram-se para as árvores. O Ventor continuou a caminhada dirigindo-se para o carro. Pegou no carro e levou-o para o local do charco, mais em cima. Dali, pela janela do carro fotografava, com a máquina no silêncio, toda a passarada que ia ao charco.

Rola-brava ou rola-comum (Streptopelia turtur). Ela sabia que eu estava dentro do carro mas, também sabia que eu só a queria olhar. Por isso, foi deitar-se, bem perto, para que os meus olhos matassem saudades

Dentro de algum tempo, outro casal de rolas bravas, caminha direito ao charco. Apontei a máquina e esperei. Elas viram o carro e desconfiaram. Uma ainda tentou esboçar um voo de fuga, mas não. Como eu fiquei quietinho, ela dirigiu-se ao charco e a outra logo atrás, meteram o bico todo pela água dentro e mataram a sede. Saíram da água, sempre a olhar-me de lado. Pararam a cerca de 15 metros de mim. Uma deitou-se e a outra, depois de observar tudo em volta e voltar a olhar o carro, deitou-se também. Ficaram as duas ali, deitadas (foto de cima) e eu, alegre e silenciosamente ia disparando a máquina.

O Ventor disse-me que elas lhe disseram:

«Estamos tão cansadas Ventor que tu nem imaginas. Já viste a nossa vida? Depois de voarmos sobre os céus de África, de observar os charcos, desde as alturas, era sempre uma tormenta para matarmos a sede. Aqui é a mesma coisa. Voamos mais de 10.000 km, para nos podermos reproduzir e, para mal dos nossos pecados, depois de termos os nossos filhos criados, somos submetidas a intensos tiroteios só escapando à tortura e à morte, cada vez menos de nós. Tu ainda nos vais vendo e eu sinto que nos teus olhos só está presente o prazer da nossa companhia. Um dia, Ventor, muitos ficarão esperando a nossa chegada, como tu fazes hoje e não nos verão. O nosso destino será o destino da maioria das espécies que ainda vivem neste nosso Planeta Azul.

O Outono e as castanhas

 Estamos no Outono e o Outono é tempo de castanhas e, para chatice do Ventor, este ano, não temos o belo verão de S. Martinho. Mas temos castanhas!


Castanhas assadas

O Ventor tinha por aqui um amigo que, sem eu o conhecer, já o fez meu amigo também. Era o nosso amigo Quico. O nosso amigo Quico, diz-me o Ventor, ficava todo contente com as castanhas. Quando a nossa dona começava a retalhar as castanhas para as assar ou cozer e não rebentarem, dava-lhe uma para ele brincar. O Quico corria pela cozinha fora, pelo corredor e pelo Hall sempre às lambadas às castanhas e, parecia dizer: "se o Ventor gosta tanto destas coisas, é porque são boas"!

Também gostava de brincar com as folhas secas dos castanheiros.

Desenho colorido da folha do castanheiro tirado da Wikipédia

Do castanheiro retiramos belas madeiras para a construção, para o mobiliário e a lenha que tanta falta fazia nos tempos de outras energias e os seus frutos, os ouriços espinhosos em cujo interior guardam as sementes, as belas castanhas (castanha sativa).


Ouriço da castanha

Juntamente com o trigo, o centeio e a cevada, a castanha fazia parte essencial da alimentação portuguesa até ao séc.. XVII. A chegada de outros alimentos, vindos das américas, tal como o milho, a batata, o feijão e outros, tirou valor à castanha como fonte de alimentação. Hoje, a castanha para muita gente como o Ventor é apenas uma gulosice que caminha lado a lado com o Outono e com o S. Martinho.

As mãos que temem os espinhos dos ouriços

O ouriço é, também, o esquema defensivo da castanha. Ele protege a semente para não ser fácil aos animais a apanharem para comer. Será assim, muito mais fácil que a castanha se enterre no solo e se reproduza para que os castanheiros não acabem.

A beleza da castanha

 Mas as castanhas que sempre, durante os meses do Outono, iam compondo as mesas dos lavradores, sobretudo no Norte de Portugal, como um dos seus belos alimentos, têm tendência a acabar. Hoje já não se vêm, como dantes, os velhos soutos de castanheiros. Dizem os sabidos que foi a introdução do pinheiro bravo e outras espécies de árvores que fez declinar o castanheiro.

Mas as castanhas são também as intérpretes da festa. A Festa de S. Martinho! O Ventor já me disse que vou ter de aprender a comer, pelo menos, um pedaço de castanha no dia de S. Martinho e que vou ter de continuar a fazer como ele e o Quico faziam. Oferecer castanhas a todos que gostam delas. Pelo menos, fazer com que eles pensem que afinal as castanhas continuam e devem ser para todos.


Vamos comer as castanhas com o nosso S. Martinho de Soajo

Um bom magusto para todos e, se não houver água-pé, sirvam uma malguinha de vinho à moda de Adrão e, façam rodadas como se fazia na Tasca do meu amigo Carrasco, nos nossos tempos difíceis mas, também, belos tempos.

No entanto, para continuar a saga de ser um bom cidadão, uma malguinha e já está bom.

A foto do cabeçalho

  A foto no cabeçalho é uma representação da batalha naval de Sinop, a qual fez parte de cerca de 300 anos das guerras russo-turcas. Já que ...