domingo, 26 de abril de 2026

A foto do cabeçalho

 A foto no cabeçalho é uma representação da batalha naval de Sinop, a qual fez parte de cerca de 300 anos das guerras russo-turcas. Já que o Ventor não diz nada, falarei disso por aqui. Rascunhos do Quico.

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Pilantras


 Eu sou o Pilantras, ou melhor, era.

O Ventor dizia-me que eu tinha uns olhos lindos. Condiziam perfeitamente com a pelagem que Deus me deu ou sobretudo, se preferirem, como o Ventor dizia.
Já voltei cá, pela mão da deusa Bastet e observei a tristeza do Ventor quando ele pegou nas minhas cinzas. Agora, enquanto Bastet me mostra este outro, para mim, novo mundo, o Ventor continua a sonhar comigo e a tentar não me pisar, aguarda que eu vá para a cama e a levantar-se às cinco da manhã para me dar de comer. Ele chora por mim, tanto como eu choro por ele. Mas a deusa Bastet já me disse que eu continuaria a visitar o Ventor em sonhos e que ele, vai continuar a sentir sempre a minha presença.

sexta-feira, 17 de abril de 2026

O Adeus do Pilantras

A foto no cabeçalho é uma representação da batalha naval de Sinop, a qual fez parte de cerca de 300 anos das guerras russo-turcas. Já que o Ventor não diz nada, falarei disso por aqui. Rascunhos do Pilantras.

Ventor e Pilantras

Meus amigos, se é que ainda os tenho, incumbi o Ventor de vos dizer adeus por mim.

Hoje, dia 14 de Abril, o Senhor da Esfera chamou-me para junto d'Ele. O Ventor tinha apostado comigo, que ia primeiro que eu, mas eu ganhei-lhe. Tem sido uma corrida dos diabos, estes últimos anos. E, nos últimos dias, foi ainda pior. Tinha feito um plano com o Ventor para colocarmos aqui a formação do império Otomano, mas eu desisti e, como o nosso amigo Net Sapinho, também foi atingido por uma doença grave, já tínhamos previsto o fim das nossas histórias. Sempre senti a vossa amizade e não queria ir embora sem vos dizer adeus.

Adeus, meus amigos.

E um adeus especial para o nosso amigo Net Sapinho. Tanto o Ventor, como eu, sempre entendemos que os blogs do Sapo eram os melhores. Por isso vos deixo aqui o meu agradecimento.

Adeus a todos. Como será o lado de lá? Pelas conversas que fui ouvindo nos meus 15 anos de vida, vou ficar, por lá à, espera do Ventor, este meu grande amigo.

Formação do Império Otomano

 Meus amigos, o Ventor anda a sarnar-me a cabeça com coisas que nem lembra ao diabo.

Mas quem quer saber disto? Bem, eu vou tentar fazer-lhe a vontade! Ele atirou-me com um rabisco do Quico e disse-me: "desenvolve isto"! «Desenvolvo o quê»?

Sei lá, conta aí, a essa gente, o mais sinteticamente possível a formação do Império Otomano.

Chissa!!! Ele está maluco!

Vou ter que fazer uma caminhada em redor dos mares Cáspio e Aral para ver de que chão vieram os antepassados dos turcos e o mais sinteticamente possível.



Mar de Aral - à esquerda, mais antigo; à direita, mais moderno

O que terá levado aquela gente a embalar a trouxa e rumar para sul? Os rios Amu Dária e Syr Dária, alimentavam o mar de Aral de Sudeste para Noroeste, sensivelmente. Agora, cerca de 1.000-1200 anos depois, como podemos descobrir porque os ancestrais dos turcos acharam que o sul era melhor? Terão sido empurrados? Terão achado que mais cá para sul as praias eram melhores que as que o mar Aral oferecia e um dia os fatos de banho viriam a ser uma beleza?

Seja porque tivesse sido, o mar de Aral, também chamado mar das Ilhas, existiam nele cerca de 1500 ilhas, é hoje um mar quase morto, na bacia endorreica da Ásia Central.

Pois bem! Na formação do império Turco-Otomano, primeiro parece-me e acredito que estão os Oguzes que formaram um dos principais ramos dos povos turcos ou turcomanos, entre os séculos VIII e XI A.D. Nesta época, todos os povos pela Europa fora, Ásia Central e aquela parte que hoje chamamos de Oriente Médio, estavam em convulsão.

Entrada de Maomé II, o conquistador, em Constantinopla

Os Oguzes, abandonaram as suas estepes e começaram a migrar para sul do mar Cáspio em direcção da Ásia Ocidental e Europa Oriental e são considerados pelos experts que estudam a antiguidade dos ancestrais dos turcos modernos, como os turcos da Turquia, turcomanos do turcomenistão, azeris do Azerbeijão, qashcais das províncias iranianas de Fars, do Quzestão, e de Isfahan no sul. Turcos do Coração, espalhados por partes do Irão, do Tajiquistão, do Uzebequistão, do Afeganistão, do Turquemenistão e gagaúzas, povos da região da Moldávia e do Budjak no sudoeste ucraniano comunidade com cerca de 300.000 pessoas no mundo e que, em conjunto, são cerca de 10.000.000 de pessoas.

Mas há mais!

Os turcos Seljúcidas, um ramo dos Oguzes, migraram também para sul, desde o norte do mar Cáspio e do mar Aral e viviam junto dos Abássidas. Migraram para as regiões orientais da Anatólia, onde os Oguzes estabeleceram a sua pátria. Ali se organizaram e enfrentaram os bizantinos na batalha de Manziquerta, em 1071, algumas dezenas de quilómetros a norte do lago Van. Aí os turcos venceram e, após várias batalhas e guerras, tomaram Constantinopla, em 1453.

Muralhas de Constantinopla

Os Bizantinhos camiharam desde Constantinopla e os Seljúcidas desde Alepo.

O império Otomano, depois da tomada de Constantinopla, caminhou para oeste até às portas de Viena de Áustria e para noroeste conquistando os povos do Cáucaso, enfrentando os russos, várias vezes, a cujas guerras assistiremos mais adiante. Em cerca de 300 anos, os Otomanos tiveram 12 guerras com os russos.

Pronto! Mais sintético que isto, não posso! Vamos agora à formação do Império dos Czares russos.

O Ventor espera a Primavera

 Vai esperando!



A Primavera bela como sempre

O Ventor já me disse que não se importa que ela venha vestida de qualquer cor, até pode ser de vermelho. Ela anda a colher flores do seu irmão inverno para trazer e oferecer ao Ventor, juntamente com as dela.

Flor do açafrão bravo

Este ano, a Primavera falou ao Ventor no Cabo Raso, através da flor do açafrão bravo. O Ventor não contava com elas tão cedo mas lá estava ela a incutir-lhe esperança de que a vida continua e, para ele, as flores são o melhor indicador.

Monte Nebo

 Encontrei aqui alguns rascunhos do Quico e, para os que não se recordam, o Quico foi o gato que, antes de mim, era o grande amigo do Ventor.

O Ventor andou a mexer nos discos externos e depois, já farto de tanta coisa, foi ver um filme. Aproveitei para ir vendo o que estaria por aqui, deixado pelo Quico. Encontrei um título de um post começado e não acabado. Esse título era simples. Dizia só: Monte Nebo.




Este é o Monte Nebo de que o Quico iria Falar e a morte não o deixou

 "Mount Nebo BW 6" por Berthold Werner - Obra do próprio. Licenciado sob CC BY 3.0, via Wikimedia Commons 

Ora eu estou farto de ouvir o Ventor falar em montes e nunca me tinha falado neste. Ele passa a vida a falar da Pedrada o grande monte da vida dele, na Derrilheira, na Naia, na Serrinha, no Giestoso (monte mais alto da serra da Peneda), nos montes que, grandes ou pequenos, nunca acabam.

Abri o Monte Nebo e descobri coisas novas que o Quico já sabia. Às vezes fico a pensar que o Ventor tinha razão ao dizer que eu nunca chegaria aos calcanhares do Quico para falar por aqui, das coisas do mundo mas, o que o Ventor não me disse, é que teve sempre muito tempo para o Quico e tem pouco tempo para mim.

 


Segundo alguns investigadores, as muralhas mais poderosas da época, caíram quando Josué tocou as trombetas para ordenar o ataque

Esses homens da foto acima, dizia o Quico, representam os homens que transportavam a Arca da Aliança e, segundo o Quico, ela teria sido escondida pelo profeta Jeremias, nesse tal Monte Nebo, quando os exércitos babilónicos de Nabucodonosor invadiram Israel e destruíram o Templo de Salomão. O Monte Nebo situa-se na Jordânia e tem cerca de 700 metros de altura.


Placa no Monte Nebo

"Mount Nebo Distances" por David Bjorgen - Obra do próprio. Licenciado sob CC BY-SA 3.0 via Wikimedia Commons

Daqui, conforme esta placa, Moisés despediu-se do Planeta Azul. Tinha a terra prometida à vista e não a iria pisar. Foi essa a vontade do Senhor da Esfera a que os israelitas davam e dão, o nome de Jeová. Conforme essa orientação da placa, Moisés viu Jericó, mas não a viu cair aos pés de Josué, quando ele manda tocar as trombetas para o ataque. Dali, Moisés viu Belém, o lago Tiberíades, o mar Morto, Jerusalém, Nablus, Ramallah e todo esse mundo que Cristo pisou

Na Arca da Aliança eram guardadas as Tábuas (chamam-lhe tábuas, mas eram de pedra) que Jeová entregou a Moisés para orientação do povo de Israel. Mas não há homens nem povo que não cometa pecados e o povo de Israel, foi escravizado por Nabucodonosor.

Jeremias terá escondido a Arca da Aliança algures e, há quem pense que ela estará nesse monte - o Monte Nebo.

A Palavra Saudade

 Olá, amigos!

Encontrei, por aqui, um gatafunho do Quico que apenas precisa de um aprumozito para ir direitinho, fazer uma caminhada na Net. Tudo sobre a palavra SAUDADE! E, começa assim!

"Como todos vós sabeis, eu sou um gato … e tudo o que sei, aprendi com o Ventor! Bem tudo, tudo, não! Algumas coisas vou aprendendo com a minha dona, mas o Ventor é quem, na realidade, me ensina quase tudo. Ele fala comigo e nas nossas conversas, entra a palavra saudade. Em termos humanos, eu sou um bicho gato equivalente a um bicho homem de meia idade. Por isso, o Ventor diz-me que ainda não sou massacrado pela palavra saudade.

O Ventor diz que é um saudoso de muitas coisas boas da sua vida e, na verdade, só tem saudades dos seus tempos em que a vida era difícil. Muito difícil!

Ele diz que, quando era criança, olhava profundamente os rostos enrugados dos velhos da sua terra, o Lugar de Adrão, que poderiam ser seus avós, uma vez que ficou sem avós por volta dos dois aninhos. Via as rugas quase com um século e o olhar profundo de olhos quase vidrados a deambular pelo espaço à sua volta. Hoje diz-me que tem saudades desses olhares projectados na sua direcção mas sabe que olhavam só para trás. Olhavam as caminhadas que tinham feito, nos seus espaços e nos seus tempos.




Um braseiro para o outono-inverno. Para as castanhas e os cogumelos

Diz-me que tem saudades do borralho da sua casa velhinha, onde as chamiças de urze seca iniciavam uma labareda que ateava as achas e os canhotos de carvalho que vinham carregados às costas das profundezas do vale a que chamavam Assureira. O fumo subia rumo ao telhado e desaparecia ultrapassando-o. Muitas vezes esse fumo era o sinal de que a sua mãe punha um pote de ferro no braseiro onde começava a aquecer para fazer o caldo. Não esquece o cheiro das couves galegas a cozer e ainda por cima ele não gostava nada que era verdura. Mas gostava dos feijões, das batatas, do arroz, do macarrão e das carnes, especialmente da carne do porco que sabia que matavam barbaramente e, o Ventor, quando pequeno, chorava pelo seu porco dias seguidos. O porco ia recebe-lo quando aparecia com as vacas ou sem elas.

Gostava da carne de galinha, aquele animal companheiro que punha ovos e criava os pintainhos amarelos uma das maiores belezas que o Ventor encontrou no seu caminhar. Tem saudades de ver sua mãe mugir as vacas, e dar-lhe uma cafeteira com leite para levar ao cimo da aldeia a uma velhota com 90 anos a tia Piedade da Barreira e das festas que o gato velho dessa senhora lhe fazia de volta das pernas, pois o leite também era para ele.

Tem saudades da chegada das cabras que desciam a aldeia às marradinhas umas às outras, todas contentes por saberem que os seus filhotes pequeninhos as esperavam na corte, aos quais iam dar de mamar.

Tem saudades do Bolo da Pedra. A sua mãe colocava uma lasca de pedra de granito no braseiro onde aquecia e depois de muito quente aplicava-lhe, em cima, uma massa que ela fazia e que punha junto do braseiro a aquecer até cozer. Com esse Bolo da Pedra comiam sardinhas ou joaquinzinhos assados ou fritos, ou chouriço, ou barravam com manteiga feita do leite das galantas, as vacas que também eram a sua família.

Tem saudades de chegar a casa molhado e gelado e de sentir as mãos quentinhas da sua mãe a segurar as suas para as aquecer, de lhe dar uma roupa seca aquecida no lume do borralho e manda-lo sentar-se na sua cortiça junto do braseiro dando-lhe uma malga de leite, ainda quente, acabado de tirar de uma das vacas ou então, um pedaço de toucinho entremeado acabadinho de cozer para a ceia.

O Ventor diz-me que tem saudades do cheiro da lenha queimada, o fumo que, às vezes, quando a lenha estava húmida era exagerado e punha-o a chorar contra a sua própria vontade.

O Ventor tem tantas saudades que ainda há pouco tempo, sentiu que a sua mãe estava aqui, sentada na cama, a seu lado, a tentar falar com ele.

Eu perguntei ao Ventor se também ia ter saudades um dia quando já fosse velho, e ele disse-me que se calhar não, pois eu não tive uma mãe para me aquecer, para me dar beijinhos, para me bater quando eu me porta-se mal, para me dar o comer e por isso não sei se a minha mãe estará viva ou morta.

Mas eu acho que mesmo que eu não tenha saudades os meus amigos devem ter saudades das suas mães, pois elas também os ajudaram e os aqueceram e lhes terão dado bocadinhos do seu comer e os abraçaram para dormirem juntinhos. Eu vi isso tudo, mas eu era um gato abandonado e não acredito que fosse por vontade da minha mãe. Só gente má é que me poderá ter roubado à minha mãe.

Por isso, depois de ouvir estas coisas de que o Ventor tem saudades, gostaria de pedir às potenciais mães degeneradas que nunca abandonem os seus filhos. Lembrem-se que, se os abandonarem eles, um dia, nunca saberão o significado dessa palavra saudade uma palavra maravilhosa para o Ventor».

Eu, o vosso amigo Pilantras, também não tive nem tenho mãe, mas tenho o Ventor e a minha Dona que adoro e sei que eles me adoram também. Não fosse isso e tinham-me deixado morrer.

A foto do cabeçalho

  A foto no cabeçalho é uma representação da batalha naval de Sinop, a qual fez parte de cerca de 300 anos das guerras russo-turcas. Já que ...