sexta-feira, 17 de abril de 2026

O Ventor espera a Primavera

 Vai esperando!



A Primavera bela como sempre

O Ventor já me disse que não se importa que ela venha vestida de qualquer cor, até pode ser de vermelho. Ela anda a colher flores do seu irmão inverno para trazer e oferecer ao Ventor, juntamente com as dela.

Flor do açafrão bravo

Este ano, a Primavera falou ao Ventor no Cabo Raso, através da flor do açafrão bravo. O Ventor não contava com elas tão cedo mas lá estava ela a incutir-lhe esperança de que a vida continua e, para ele, as flores são o melhor indicador.

Monte Nebo

 Encontrei aqui alguns rascunhos do Quico e, para os que não se recordam, o Quico foi o gato que, antes de mim, era o grande amigo do Ventor.

O Ventor andou a mexer nos discos externos e depois, já farto de tanta coisa, foi ver um filme. Aproveitei para ir vendo o que estaria por aqui, deixado pelo Quico. Encontrei um título de um post começado e não acabado. Esse título era simples. Dizia só: Monte Nebo.




Este é o Monte Nebo de que o Quico iria Falar e a morte não o deixou

 "Mount Nebo BW 6" por Berthold Werner - Obra do próprio. Licenciado sob CC BY 3.0, via Wikimedia Commons 

Ora eu estou farto de ouvir o Ventor falar em montes e nunca me tinha falado neste. Ele passa a vida a falar da Pedrada o grande monte da vida dele, na Derrilheira, na Naia, na Serrinha, no Giestoso (monte mais alto da serra da Peneda), nos montes que, grandes ou pequenos, nunca acabam.

Abri o Monte Nebo e descobri coisas novas que o Quico já sabia. Às vezes fico a pensar que o Ventor tinha razão ao dizer que eu nunca chegaria aos calcanhares do Quico para falar por aqui, das coisas do mundo mas, o que o Ventor não me disse, é que teve sempre muito tempo para o Quico e tem pouco tempo para mim.

 


Segundo alguns investigadores, as muralhas mais poderosas da época, caíram quando Josué tocou as trombetas para ordenar o ataque

Esses homens da foto acima, dizia o Quico, representam os homens que transportavam a Arca da Aliança e, segundo o Quico, ela teria sido escondida pelo profeta Jeremias, nesse tal Monte Nebo, quando os exércitos babilónicos de Nabucodonosor invadiram Israel e destruíram o Templo de Salomão. O Monte Nebo situa-se na Jordânia e tem cerca de 700 metros de altura.


Placa no Monte Nebo

"Mount Nebo Distances" por David Bjorgen - Obra do próprio. Licenciado sob CC BY-SA 3.0 via Wikimedia Commons

Daqui, conforme esta placa, Moisés despediu-se do Planeta Azul. Tinha a terra prometida à vista e não a iria pisar. Foi essa a vontade do Senhor da Esfera a que os israelitas davam e dão, o nome de Jeová. Conforme essa orientação da placa, Moisés viu Jericó, mas não a viu cair aos pés de Josué, quando ele manda tocar as trombetas para o ataque. Dali, Moisés viu Belém, o lago Tiberíades, o mar Morto, Jerusalém, Nablus, Ramallah e todo esse mundo que Cristo pisou

Na Arca da Aliança eram guardadas as Tábuas (chamam-lhe tábuas, mas eram de pedra) que Jeová entregou a Moisés para orientação do povo de Israel. Mas não há homens nem povo que não cometa pecados e o povo de Israel, foi escravizado por Nabucodonosor.

Jeremias terá escondido a Arca da Aliança algures e, há quem pense que ela estará nesse monte - o Monte Nebo.

A Palavra Saudade

 Olá, amigos!

Encontrei, por aqui, um gatafunho do Quico que apenas precisa de um aprumozito para ir direitinho, fazer uma caminhada na Net. Tudo sobre a palavra SAUDADE! E, começa assim!

"Como todos vós sabeis, eu sou um gato … e tudo o que sei, aprendi com o Ventor! Bem tudo, tudo, não! Algumas coisas vou aprendendo com a minha dona, mas o Ventor é quem, na realidade, me ensina quase tudo. Ele fala comigo e nas nossas conversas, entra a palavra saudade. Em termos humanos, eu sou um bicho gato equivalente a um bicho homem de meia idade. Por isso, o Ventor diz-me que ainda não sou massacrado pela palavra saudade.

O Ventor diz que é um saudoso de muitas coisas boas da sua vida e, na verdade, só tem saudades dos seus tempos em que a vida era difícil. Muito difícil!

Ele diz que, quando era criança, olhava profundamente os rostos enrugados dos velhos da sua terra, o Lugar de Adrão, que poderiam ser seus avós, uma vez que ficou sem avós por volta dos dois aninhos. Via as rugas quase com um século e o olhar profundo de olhos quase vidrados a deambular pelo espaço à sua volta. Hoje diz-me que tem saudades desses olhares projectados na sua direcção mas sabe que olhavam só para trás. Olhavam as caminhadas que tinham feito, nos seus espaços e nos seus tempos.




Um braseiro para o outono-inverno. Para as castanhas e os cogumelos

Diz-me que tem saudades do borralho da sua casa velhinha, onde as chamiças de urze seca iniciavam uma labareda que ateava as achas e os canhotos de carvalho que vinham carregados às costas das profundezas do vale a que chamavam Assureira. O fumo subia rumo ao telhado e desaparecia ultrapassando-o. Muitas vezes esse fumo era o sinal de que a sua mãe punha um pote de ferro no braseiro onde começava a aquecer para fazer o caldo. Não esquece o cheiro das couves galegas a cozer e ainda por cima ele não gostava nada que era verdura. Mas gostava dos feijões, das batatas, do arroz, do macarrão e das carnes, especialmente da carne do porco que sabia que matavam barbaramente e, o Ventor, quando pequeno, chorava pelo seu porco dias seguidos. O porco ia recebe-lo quando aparecia com as vacas ou sem elas.

Gostava da carne de galinha, aquele animal companheiro que punha ovos e criava os pintainhos amarelos uma das maiores belezas que o Ventor encontrou no seu caminhar. Tem saudades de ver sua mãe mugir as vacas, e dar-lhe uma cafeteira com leite para levar ao cimo da aldeia a uma velhota com 90 anos a tia Piedade da Barreira e das festas que o gato velho dessa senhora lhe fazia de volta das pernas, pois o leite também era para ele.

Tem saudades da chegada das cabras que desciam a aldeia às marradinhas umas às outras, todas contentes por saberem que os seus filhotes pequeninhos as esperavam na corte, aos quais iam dar de mamar.

Tem saudades do Bolo da Pedra. A sua mãe colocava uma lasca de pedra de granito no braseiro onde aquecia e depois de muito quente aplicava-lhe, em cima, uma massa que ela fazia e que punha junto do braseiro a aquecer até cozer. Com esse Bolo da Pedra comiam sardinhas ou joaquinzinhos assados ou fritos, ou chouriço, ou barravam com manteiga feita do leite das galantas, as vacas que também eram a sua família.

Tem saudades de chegar a casa molhado e gelado e de sentir as mãos quentinhas da sua mãe a segurar as suas para as aquecer, de lhe dar uma roupa seca aquecida no lume do borralho e manda-lo sentar-se na sua cortiça junto do braseiro dando-lhe uma malga de leite, ainda quente, acabado de tirar de uma das vacas ou então, um pedaço de toucinho entremeado acabadinho de cozer para a ceia.

O Ventor diz-me que tem saudades do cheiro da lenha queimada, o fumo que, às vezes, quando a lenha estava húmida era exagerado e punha-o a chorar contra a sua própria vontade.

O Ventor tem tantas saudades que ainda há pouco tempo, sentiu que a sua mãe estava aqui, sentada na cama, a seu lado, a tentar falar com ele.

Eu perguntei ao Ventor se também ia ter saudades um dia quando já fosse velho, e ele disse-me que se calhar não, pois eu não tive uma mãe para me aquecer, para me dar beijinhos, para me bater quando eu me porta-se mal, para me dar o comer e por isso não sei se a minha mãe estará viva ou morta.

Mas eu acho que mesmo que eu não tenha saudades os meus amigos devem ter saudades das suas mães, pois elas também os ajudaram e os aqueceram e lhes terão dado bocadinhos do seu comer e os abraçaram para dormirem juntinhos. Eu vi isso tudo, mas eu era um gato abandonado e não acredito que fosse por vontade da minha mãe. Só gente má é que me poderá ter roubado à minha mãe.

Por isso, depois de ouvir estas coisas de que o Ventor tem saudades, gostaria de pedir às potenciais mães degeneradas que nunca abandonem os seus filhos. Lembrem-se que, se os abandonarem eles, um dia, nunca saberão o significado dessa palavra saudade uma palavra maravilhosa para o Ventor».

Eu, o vosso amigo Pilantras, também não tive nem tenho mãe, mas tenho o Ventor e a minha Dona que adoro e sei que eles me adoram também. Não fosse isso e tinham-me deixado morrer.

Por Outros Mundos

 Cada vez que descubro rascunhos do velho Quico, apetecia-me sair de casa e ir descobrir mundos. Já imaginaram por onde o Ventor caminhou. O Quico diz-me, por aqui, que o Ventor caminhou mesmo pelo rio Eufrates, no actual Iraque, com a sua amiga Diana e até tem mapas por onde ele andou. Mas o Ventor só lhe falava do Eufrates. Será que não lhe falou do rio Tigre também?


Mesopotâmia

Olhando estes traçados azuis no mapa dos rios que representavam e representam os territórios da Suméria, de Babilónia e do actual Iraque, quem pensará que hoje a maior composição daqueles territórios, é desértica?

Tenho de tentar encontrar mais rascunhos do Quico para continuar as suas conversas sobre os locais desses tempos.

Torre de Babel

 O Ventor falou-me da Torre de Babel. Disse-me que o Senhor da Esfera, tramou a malta que sobreviveu ao dilúvio, com o tempo, formou vários grupos e que entenderam chegar ao céu mas não sabia como. Por isso, construíram um zigurante muito alto, tanto quanto puderam e iam colocando sempre mais tijolos e mais, e mais, e ... mais! 


Torre de Babel

Essa malta falava toda a mesma língua e entendiam-se muito bem. Mas o Senhor da Esfera achou-os parvos e decidiu trama-los. «Com que então querem chegar muito alto, não é? Querem vir até mim»!? O Senhor da Esfera achou que arranjaria uma maneira de chatear aquela gente e parecia ao Ventor que Ele já estava arrependido de ter ordenado ao Noé, para construir a barcaça. Arranjou maneira de eles não se entenderem. Começaram a mandar vir uns com os outros e houve um que, como não os entendia e verificou que também não o entendiam, disse aos seus homens para mandarem a torre às malvas e saíssem dali. Cada grupo foi à sua vida e, preferencialmente, para longe da torre.

Por causa da mania da construção da Torre de Babel, ainda hoje o Ventor anda chateado. Ele levantou-se e quando estava a comer o pequeno almoço ligou o ipad, como sempre faz, para ouvir as notícias na TV. Todos sabem tudo sobre o Covid-19 mas, ao fim e ao cabo, ninguém sabe nada. São russos, são americanos, são chineses, são alemães, ingleses, japonesas, portugueses e por aí fora. Vê lá Pilantras que, diz-me o Ventor, até os cães da vizinhança falam sobre o Covid-19!

Diz que está farto de tanta teoria na perseguição a esse malvado vírus. Ele desligou o ipad e disse: "dêem-me uma fisga decente e eu mato esse gajo com uma só pedra"! Se a fisga entra cá em casa estou lixado. Só espero que ele não a vire contra mim. Já não se pode falar do Covid-19 ao pé dele. 

Isto está a ficar mau! Ainda ontem estava um cão no meio da avenida a dizer para outro: «morde o gajo, pá"! «Qual gajo»? "Essa coisinha minúscula que está a passar por ti". O outro que não via coisinha nenhuma, disse: «estou feito cotigo, até pareces o meu dono. Já vê o vírus em todo lado»! Chiça!!!

Quico Pilantras   O Quico continua a observar-nos   Tu eras o mais lindo dos meus amigos. Eras o mais belo com...