sexta-feira, 17 de abril de 2026

Serra de Soajo

 Amigos, o meu amigo Ventor disse-me que nasceu na serra de Soajo, aqui: eu nasci na serra de Soajo.

Alto da Pedrada - serra de Soajo

Ele diz que ninguém sabe onde isso fica e que, por isso, tem de estar sempre com a lenga-lenga toda. Adrão, Soajo, Arcos de Valdevez, Viana do Castelo e já agora eu concluo com Portugal. Isso eu já sei! . E eu, como sou gato, não estou a perceber nada de tanta confusão. Porque será que haja, num país tão pequeno, tanta gente a embirrar com uma serra. Será por essa serra arrastar durante séculos o seu nome histórico? Ou será porque há gente tão nhurra que encorna uma coisa, mesmo que errada e nunca mais a larga? Espero vir a saber!

 

Pisco Sour

 Nem imaginam o que eu passo com o Ventor. Agora anda a embirrar comigo!

Há tempos embirrou que queria fazer um pisco sour! Agora descobriu que há dois e não sabe qual é o melhor. Há o chileno e o peruano. Disse-me que queria provar os dois. Depois arranjou outra confusão. Um é feito com clara de ovo - o peruano. O outro é feito sem clara de ovo - o chileno.

E eu! Eu nem sei para onde me virar. Com ovo, sem ovo, ... assim, assim! Mas porque será que a minha deusa Bastet me colocou junto deste gajo! Que percebo eu de pisco sours!

Agora pergunta-me a que faz mal a clara de ovo. Se faz mal ao pisco sour ou a ele. Eu que nem quero saber das claras de ovo e muito menos do pisco sour!

Diz-me que queria beber o pisco sour no Peru, em Cusco. Este pisco sour em baixo é o tal que leva clara de ovo. E se ele não quer beber o pisco sour com claras de ovos, tem de ir bebe-lo para o Chile, nem que seja com a ajuda de Santiago.


O pisco sour? Não há, mas esta também é agradável

 Ele que sempre se contentou com as caipirinhas que a minha dona lhe faz ou com as caipirinhas do Alex! Já há muito tempo que não bebe outras deu-lhe agora para pensar no pisco sour e pensava eu que já se tinha esquecido!



Uma caipirinha

Digam lá se a caipirinha não vem mesmo a matar, cheia de gelo como o tempo pede! E aquela rodelinha de lima a enfeitar o copo? Aos olhos fica bonita e aquele cheirinho a lima nem se fala mas acho que o Ventor a fazia sumir logo. Ele só gosta do que está dentro do copo. Aos enfeites não liga.

Uma bela margarita

Já viram como é linda a margarita? Eu não lhe levava os enfeites com a rodela de lima. Ele começa a ver onde põe o nariz e corre com ela. Não vale a pena dar-me a tal trabalho. Mas o de cima, o pisco sour tem a clara de ovo!

Que se lixe. Não lhe faço nada! Que vá mais o Luis Perricho beber o Ricard num copo de plástico com a água fresquinha da Corga da Vagem. Afinal ele tem gin, tem whisky, tem a 51, tem ricard, tem martini, ... e outras porcarias, porque raio quer ele o pisco sour? Todos esses ingredientes bons ou assim-assim são iluminados pelo nosso amigo Apolo. 

 Este é o Apolo peruano

Que vá chatiar outro. Que beba whisky e se quer fresquinho que ponha gelo.

Música

 Algumas vezes eu e o Ventor ficamos por aqui a ouvir músicas.

Hoje resolvemos fazer algumas alterações neste meu blog. Colocamos uma foto nova no cabeçalho que nos ajuda a perceber como somos pobres em instrumentos de música. E coloquei na página lateral do meu blog, um link para a minha músia.

Este instrumento de música, o triângulo, é um instrumento em que na terra do Ventor, chamavam ferrinhos. Uma vez, quando o Ventor era pequeno, os homens de Olelas (Galiza), vieram à Várzea e a Adrão, cantar os Reis. Foi a primeira vez que o Ventor viu este instrumento com concertinas e caixas.

O triângulo ou ferrinhos

O olifant era um corno que os comandantes militares usavam durante a idade média, para dar sinal às tropas. Eram feitos de dentes de elefantes e neles incrustavam imagens lindas e desenvolviam belíssimas obras de arte. Talvez o mais famoso olifant de que ouvimos falar seja o usado por Rolando, comandante militar francês do exército de Carlos Magno e que foi morto na batalha de Roncesvales. 

Não encontrei nenhuma imagem de olifant.

O Ventor em Évora

 Vocês não acreditam mas o Ventor em Évora só dava valor ao Templo da sua amiga Diana.

Mas, desta vez, ele pensou em diversificar. Dirigiu-se à Sé de Évora e, quando deu pela fé, estavam três penudos (as) aos saltos nas árvores. Começou a observa-los e concluiu que eram uma espécie de gralhas de nuca-cinzenta. O Ventor e a minha Dona, decidiram subir pelas velhas escadarias, rumo aos telhados e quando chegaram lá acima, o Ventor deixou a minha Dona entretida a fotografar os telhados e a cidade desde os píncaros das torres e foi ter uma conversa com as gralhas.

Vocês nem imaginam o que aconteceu! O Ventor que é um rato, não da sacristia mas dos telhados, ouviu o seguinte:

«Oh, Miquelina, deixa-me esconder aqui à tua esquerda que anda aí um gajo que me pareceu o Ventor e, se ele está cá, nunca mais nos larga»!

" Oh, Lafayette, porque raio te queres esconder dele se sabes que ele não faz mal a nenhum penudo, nem a gralhas? Lá por ter morto uma águia, asfixiando-a debaixo da bota, não esqueças que foi a águia que o atacou"!

 Miquelina observou o Ventor enquanto o Lafayette se escondia à sua esquerda

«Eu sei que a águia foi estúpida mas do Ventor temos de esperar tudo! Temos de contar com tudo olha que esse gajo é pior que o Geraldo sem Pavor. O Geraldo está transformado em pedra mas o Ventor ... não vês como ele se mexe»? E a Miquelina diz: "observa o Ventor e deixa-te de tretas, Lafayette"!

O Lafayette levantou a cabeça e diz à Miquelina: "olha o gajo. Estou a vê-lo"!

«Aquele gajo, Miquelina, com a pedalada que leva, ainda deita o telhado a baixo»!

"És um chato, Lafayette, eu aposto que nem faz sair uma pena do nosso ninho"!

Lafayette e Miquelina, observam o Ventor

«Eu não tenho medo dele, sei que é um gajo porreiro, mas como sei que se torna um chato, nem me apetece olha-lo. Olha para aquela máquina. Nem para»!

Disse-me o Ventor que o Lafayette e a Miquelina continuaram a voar de torre em torre mas o Ventor tinha sempre a máquina apontada para eles. O Lafayette não gostava nada mas a Miquelina estava a gostar de se tornar na vedeta das gralhas de nuca cinzenta.

Vê lá Miquelina, observa-me aquele gajo!

E Lafayette volta a chatear a Miquelina: «penso que ele, agora, já tenta fotografar o Templo de Diana para ver se a apanha por entre as colunas, ou então, anda à procura da cabeça do mouro decepada pela espada do Geraldo sem Pavor. Aquela cabeça que ele tem levantada na mão esquerda depois de a cortar com a direita.

Nem sei como consegues apreciar estas cavalgadas do Ventor pelo Alentejo, se ele se torna um violador dos nossos aposentos»!

"Deixa lá Lafayette, que eu acredito no Ventor. Eu sei que ele é nosso amigo e isso basta-me"!

Foi assim o primeiro dia desta caminhada do Ventor pelo Alentejo. Chama-lhe ele, um raid! Depois, de se empanturrar com o almoço (ele não levou rações de combate. Nada de latas, essas são para mim), continuou a caminhada rumo a Vila Viçosa. Segundo ele me disse, de Vila Viçosa, só lhe enteressava uma conversa com a poetisa, Florbela Espanca.

S. Martinho de 2017

 Hoje foi assim o dia de São Martinho, cá em casa e, mais uma vez, o Ventor incumbiu-me de desejar a todos os nossos amigos, os votos de que não lhes faltem castanhas.

Eu sou o Ticas e, como o Ventor, também festejo o São Martinho

Quando o nosso amigo Apolo, coloca os cotovelos sobre o parapeito da janela, espreita lá de fora e começa a brincar comigo e com o Ventor, tudo fica mais bonito. Mas este ano já ouvi o Ventor desabafar que Apolo está a aparecer vezes demais. Hoje está bem porque estamos no verão de São Martinho mas o Ventor já me disse que, se vai zangar com ele para ver se ele vira as costa por uns tempos e deixa avançar as chorosas fadas de Neptuno para junto de nós, a ver  regam isto. 

A mesa está quase posta mas aposto que a minha dona não quer as cabras na mesa, quer o São Martinho venha, quer não

O dia estava lindo, fazendo jus ao verão de São Martinho. O sol entrava pela janela da sala e pela porta da varanda e eu dormia a minha sesta descansado. De repente vi o Ventor com a máquina na mão e começar a tirar fotos. Pensei logo: "aqui não há coisa boa".

Isto é que é uma vida! É só tirar os livros e colocar os pratos

Fui-me chegando e não havia mesmo. O Ventor ia sair e disse-me: «Ticas, vai pensando em desejar as castanhas para os nossos amigos porque hoje é dia de São Martinho. Eu e a Dona vamos comprar umas coisas e ver se há castanhas melhores do que as que trouxemos ontem»

Que mal fazem as cabras na mesa? Se o São Martinho vier, até pode ficar contente

Pensei logo para com os meus bigodes: "estou lixado. Este gajo vai embora e nunca mais volta. Vai deixar-me só com o São Martinho"!

Mas não. Foi e veio logo para brincarmos com as castanhas. E trouxe castanhas boas, bem melhores que as castanhas que ontem comprou no Continente. Mas arranjou-as no "Continente Bonjour", aqui em Massamá, que é da mesma família.

O Ventor diz que o São Martinho ainda vai levar estas frutas secas com ele e vai dizer-lhe para ir ao Checa à água pé para participar noutras festas

Ainda sobraram castanhas, nozes, avelãs e água pé. Ah, o São Martinho, disse-me o Ventor, esteve connosco à mesa mas eu não o vi. Eu fui para o ombro do Ventor para espreitar lá de cima mas o São Martinho só o Ventor e a minha Dona é que o viram. O Ventor diz-me que se eu não o vi é porque sou zarolho porque o Quico via o São Martinho sempre.

Agora vou me portar bem porque para o ano quero ver o São Martinho. Se não o ver, nunca mais quero saber das castanhas para nada!

Quico Pilantras   O Quico continua a observar-nos.   Eu sei ... tu sabes Tu eras o mais lindo dos meus amigos. Eras o ...